Que sai do banho e pende a cabeça pro lado direito pra ir secando os cabelos, que vai molhando o assoalho enquanto vem pegar as roupas na cadeira, e espia a janela de vidro, e espia além do vidro. E arruma a cama, e se penteia. Pronto? As chaves. E olha uma última vez, todas as vezes, pra trás. E desce aquela escada de madeira, tanta luz para esses olhos, tanto raio solar…
Que faz uma tarde diferente antes de toda noite, que faz a lembrança do dia seguinte ser a besteira do ontem, que faz cenário na ponta desta ilha irrigada por um pôr de Sol, que criou tanto abrigo em tanta rua estreita, sobre tanto paralelepípedo, que uniu sem querer, porque é dom. Porque é som essa felicidade que sempre saiu estridente da garganta. Que se dá conta do que causa só quando os outros lhe vem contar.
Que some com nossas dores. Cadê? Quem levou? Devolva-nos. Não, diz você. Que guarda no bolso e derrama nossos pertences discretamente sobre o rio, quando voa, para que não saibamos do paradeiro de nossas faltas, de nossas rugas. Que gira, que gira, que girassol no nosso campo, mesmo o de concreto. Que não pode ir embora.
A pressa é só a de ficar.